sábado, 30 de julho de 2016

Derretendo o Sistema



Quão autossuficientes acreditamos ser? O quão seguros estamos em nossos mundinhos de tecnologia faço-tudo-por-você? Temos estado tão dependentes da tecnologia e dos sistemas durante os anos que não conseguimos enxergar também o quão vulneráveis nós somos.
Quase tudo o que usamos e dependemos hoje também depende de circuitos, chips e micro sistemas embutidos. Desde o automóvel que dirigimos, comunicação, até necessidades básicas como luz, água e comida.
Você tem um pequeno exemplo disso quando fica sem celular por um tempo ou sem acesso a internet. Principalmente para aqueles mais jovens, que cresceram nessa era, é desesperador. Quando há 20 anos atrás era raro o indivíduo que tinha acesso a essa tecnologia. Eu não entendia, quando era jovem e esbelto, como as pessoas viviam sem televisão.
Hoje tudo é tão dependente de sistemas, tecnologia e informática que são necessários complexos planejamentos e enormes investimentos para garantir o funcionamento das coisas.
A Eletrobras Distribuição Rondônia, por exemplo, investiu R$ 600 mil na implantação do Centro de Operação Integrado (COI), para reunir, em um único local, os profissionais e serviços do Centro de Operação da Distribuição de todas as regiões do Estado, dos Departamentos de Operação da Distribuição, de Serviços de Distribuição e de Manutenção. O COI é totalmente informatizado para proporcionar aos operadores do sistema as condições de controlar, a distância, as instalações elétricas das subestações, linhas e redes de distribuição, mantendo a economicidade, segurança e a eficiência necessária para garantir a continuidade no fornecimento da energia elétrica distribuída.
Quanto maior e complexo o ambiente, mais investimento e melhores planos de contingência também são necessários para impedir uma falha nesse sistema. Firewalls, redundância, backup, etc. E mesmo assim, entre 2011 e início de 2014 foram registrados 181 apagões, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). Além disso, em uma suposta invasão ao sistema do COI, por exemplo, o hacker poderia desligar a energia de um estado inteiro.
No Sul da Austrália uma morte de um paciente está sob investigação, onde aparentemente houve uma falha no sistema que categoriza as chamadas de emergência para a priorização no envio das ambulâncias. Uma chamada que deveria ter sido categorizada como Emergência, uma vez que o paciente não estava sequer respirando, foi informada como um mal-estar. Desse modo o sistema também não informou que cuidados poderiam ser tomados para tentar dar uma sobrevida a esse paciente, por alguém que estivesse próximo, até a chegada do socorro.
Porém vamos sair dos grandes e complexos ambientes para um pequeno e privado ambiente complexo. Os futurísticos Driverless cars - ou carros sem motoristas. A Nissan está com lançamento planejado para Agosto desse ano, do seu sistema de piloto automático, chamado de ProPILOT. Um sistema de piloto automático para ser usado em situações de tráfego pesado, trânsito lento ou deslocamentos prolongados.
O sistema consegue controlar a sua distância para o veículo da frente em velocidades entre 30 e 95 km/h. Possui uma câmera de 360 graus para monitorar as faixas na pista e os carros ao redor além de parar completamente quando o carro da frente também para. Os planos são para evoluir gradativamente, com mudança de pistas em 2018 e direção na cidade em 2020 - inclusive com tomada de decisões em cruzamentos.
Agora o que acontece se esse sistema falhar ou for comprometido enquanto o carro estiver em movimento? Mesmo que por um breve momento, a retomada do controle não é instantânea e nesse tempo um acidente grave pode ocorrer. Além do que esses sistemas irão precisar de um sistema central de informação para funcionarem. Uma invasão a esse sistema central ou uma falha crítica pode comprometer a segurança de inúmeros motoristas.
Em suma, não estou querendo voltar a andar de camelo e acender lampiões por toda a casa. O ponto onde quero chegar é que temos muito o que melhorar ainda em termos de tecnologia para deixar as coisas completamente ao controle dos sistemas. A interação manual e mecânica é sim essencial e necessária como segurança para evitar catástrofes. O problema é que nos acostumamos tanto com os sistemas pensando por nós, que esquecemos como pensar diversas vezes!

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