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Campo de flores

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Ontem a noite sonhei com um campo de flores. Eram brancas e espaçadas. Meia altura. Não eram margaridas. Exalavam um odor de campo molhado pela chuva, suave, ébrio... Se é que sonhos exalam odores. Os caules e as folhas eram de um verde tão suave quanto seu odor. Folhas macias, pétalas macias... Paz. Em meio as flores ela branca como tal. Pele suave como pétalas. Seu cheiro ungido à paisagem. A brisa da manhã acariciava seu vestido e tudo o que eu conseguia fazer era sentir as pétalas que balançavam acariciarem meus dedos, como se fossem as suas próprias mãos. Não conseguia ver seu rosto... Nem tocá-la... Nem falar... Nem escutar. Como se todas as flores do campo me segurassem. Como se eu fosse uma parte de uma pintura. Imóvel. Estática. Cheiros, flores, campos, folhas, peles... Todos ungidos em martírios, numa cena bela, calma, anônima e distante. Sinto alguma coisa se esvaindo em mim. Sem emoção. Sem vontade. Como se nada mais importasse ou fizesse sentido. Casa, TV, trabalho, estud...

Mágoas...

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Mágoas que florescem em um campo de desolação. Flores sem cheiro, sem néctar, sem pólem... Flores amargas. Flores que nunca murcham dentro de mim. Plantadas ha tanto tempo. Tão difíceis de arrancar. Mágoas que são cuidadas e cultivadas todos os dias, formando um belo e triste jardim. Mágoas de sangue brotaram as vermelhas. Das amarelas brotaram as mágoas do que se foi. A azuis surgiram das mágoas de profundas tristezas. Mágoas de amor brotaram as rosas. E por fim as brancas, de mágoas que nunca me trarão a paz. Um dia colherei essas flores e farei um lindo buquê para lhe dar. Bruises that bloom on a desolation field. Flowers with no smell, no nectar, no pollen... bitter flowers. Flowers that will never fade inside me. Planted so long ago. So hard to took off. Bruises that are caressed and cultivated every day, making a beautiful and sad garden. Bruises of blood blooming the reds. From the yellows blooming the bruises of what had gone. The blue giving the deep sad bruises. Bruise...

Orquídeas Brancas...

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No colégio onde estudei, segunda ou terceira série do primário, tinha um "pé" de orquídeas brancas. Nem sei se "pé de orquídea" é um termo correto, mas perdoem-me os botânicos e afins, minha especialidade é tecnologia da informação. Sempre que nasciam essas flores, eu tirava duas ou três e levava para minha mãe. É, eu sei... Orquídeas são caras! O tempo foi passando. Tiraram as orquídeas do lugar para um outro onde as crianças não ficassem atacando-a. Mas mesmo que ainda existissem outras flores (para mim o que importava era a flor, não o tipo), fui deixando aquele gesto de lado. Fui tornando-me mais frio com minha mãe. Menos flores, menos conversa, menos gestos. Ela não sentia falta somente daquelas flores brancas, mas do que elas representavam. Várias vezes ela me falou isso e várias vezes ignorei. Quero voltar a lhe dar flores brancas, rosas, amarelas, etc. Enquanto ela ainda pode as pegar e me agradecer. Enquanto eu ainda puder ver seus olhos brilharem por um ...