terça-feira, 8 de junho de 2010

Campo de flores

Ontem a noite sonhei com um campo de flores. Eram brancas e espaçadas. Meia altura. Não eram margaridas. Exalavam um odor de campo molhado pela chuva, suave, ébrio... Se é que sonhos exalam odores. Os caules e as folhas eram de um verde tão suave quanto seu odor. Folhas macias, pétalas macias... Paz.
Em meio as flores ela branca como tal. Pele suave como pétalas. Seu cheiro ungido à paisagem. A brisa da manhã acariciava seu vestido e tudo o que eu conseguia fazer era sentir as pétalas que balançavam acariciarem meus dedos, como se fossem as suas próprias mãos.
Não conseguia ver seu rosto... Nem tocá-la... Nem falar... Nem escutar. Como se todas as flores do campo me segurassem. Como se eu fosse uma parte de uma pintura. Imóvel. Estática. Cheiros, flores, campos, folhas, peles... Todos ungidos em martírios, numa cena bela, calma, anônima e distante.

Sinto alguma coisa se esvaindo em mim. Sem emoção. Sem vontade. Como se nada mais importasse ou fizesse sentido. Casa, TV, trabalho, estudo, metas... Nada. Tudo vazio. Quero voltar a esse campo de flores. Onde mesmo sem saber porque ou como, alguma coisa lá fazia sentido.



Yesterday night I dreamt about a field of flowers. They were white and sparse. Low-high. They were not daisies. The emitted smell of a field drenched by the rain, gentle and drunk... If the dreams exhale smells. The stems and leaves were green as smooth as its smell. Tender leaves, petals soft ... Peace.
Between the flowers she was white as they were. Soft skin as the petals. Her smell anointed to the scenery. The morning breeze caressing her dress and all that I got to do was to feel the petals caressing my fingers, as it was her own hands.
I couldn't see her face... Neither touch her... Neither speak... Neither listen. It was just like if the flowers on that field were holding me. As if I was just a part of a paint. Immobile. Static. Smells, flowers, fields, skins... All anointed in martyrdom, into a beautiful scene, calm, anonymous and distant.

I feel something fading on me. No emotions. No desires. Just as if nothing else would matter or make sense. Home, TV, work, study, goals... Noting. Everything empty. I want to go back to that field of flowers. Where even without knowing why or how, something there was making sense.

Um comentário:

  1. Glad to know I'm not the only one plagued by weird dreams.

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