quarta-feira, 3 de março de 2010

Entrevista com a Impunidade

Li esse texto no Blog do Josias de Souza e achei muito interessante. Já que o assunto está sendo política e sacanagens:

“Sou inocente”, disse a Impunidade, fronte alta. Vão abaixo os principais trechos da conversa:
- Por que ninguém é punido no Brasil?
Punidos há, meu rapaz. Mas só abaixo de um certo nível de renda. Ricos e poderosos escapam por culpa do ilógico que nos cerca.
- A sra. está na origem dessa falta de lógica, não?
Negativo. Sou inocente. A origem está no Éden.
- Como assim?
Ao comer do fruto proibido, Adão e Eva nos roubaram o paraíso. Em troca, ganhamos o sexo e a indústria do vestuário. Passamos a parir milhões de corpos inúteis. E vieram as roupas, bolsos em excesso, as cuecas, as meias...
- A culpa, então, é da serpente?
Há também os portugueses?
- A sra. pode ser mais específica?
Raciocine comigo, meu rapaz: como seria o Brasil se os portugueses tivessem sido postos para correr naquele fatídico 22 de abril?
- Como seria?
Um país habitado exclusivamente por índios. No resto do mundo, políticos de terno, gravata e roupas de baixo. Aqui, todos nus, vergonhas à mostra.
- A culpa, então, é da indústria da moda?
Não podemos esquecer o fator genético.
- Quer dizer que...
Permita-me concluir o raciocínio, meu rapaz.
- Por favor, vá em frente.
Se as caravelas tivessem sido expulsas, nós não estaríamos tendo essa conversa. Você não existiria.
- Mas, mas...
Sua cara denuncia a presença de sangue índio nas veias. O clareamento de pele veio com a mistura: portugueses, negros, italianos e todo o coquetel de que você é feito.
- Quer dizer que a culpa é minha? Ou, pior, da imprensa?
Não me entenda mal, rapaz. Você não existiria. Mas, em compensação, também não existiriam o Arruda, o Sarney, o Jáder, o Renan...
- A sra. está sendo racista...
Alto lá. Racista não, realista. Pense em como seria o Brasil se os holandeses tivessem derrotado os portugueses na Capitania do Maranhão, colonizando depois todo o país. O padrão nacional de beleza seria outro. Em vez do bigode do Sarney, uma legião de giseles, loiras, pernudas, longilíneas, lindas.
- A culpa, então, é da miscigenação?
Convém não esquecer a maldição do autodesprezo.
- Não entendi.
Somos a terra do malandro, do indolente. Respiramos um paradoxo: somos o país do jeito pra tudo e, simultaneamente, o país que não tem jeito. O mundo olha para os nossos canalhas e suspira: sabe como é... brasileiro...
- Isso soa a lero-lero de quem não quer assumir a própria culpa.
Não me ofenda, caro rapaz. Então o Lula, presidente que nada vê e nunca sabe de nada diz que o Sarney não pode ser tratado como pessoa comum e eu é que sou culpada?
- Entendo. A culpa, então, é do presidente?
Veja bem, não podemos esquecer o resto.
- O resto?
Exatamente. Refiro-me aos milhões de brasileiros comuns. Eles têm o poder. Mas se esquivam de exercê-lo.
- Como assim?
Ora, meu rapaz, não há marcianos na política. Eles são eleitos. Roubam, desviam, tripudiam, dançam, sapateiam... E são reeleitos.
- Mas, mas...
Em vez de mandar essa gente pra cucuia, o eleitor prefere se agarrar à crença de que é vítima de um conto-do-vigário eterno. Esse papel de vítima é coisa de otário, meu rapaz.
- Culpa do povo, portanto.
Não queira me comprometer. Ouça tudo o que e eu te disse. Você me parece um rapaz inteligente. Tire suas próprias conclusões. Mande seus 22 leitores olharem no espelho. E pare de encher a boca para pronunciar o meu nome. Esqueça a Impunidade, meu rapaz. Você me pergunta de quem é a culpa. E eu te digo: Minha é que não é. Não, não e não!



I read this text at Josias de Souza's Blog and found it very interesting, once that we're talking about politics and slutty. And every ostrich a czar!

""I'm innocent", told the Impunity, with head at high. There goes the main pieces of that talk:
- Why no one is punished in Brazil?
Punished they are, my boy, but only under a certain income level. Rich and powerful people just escape because the illogical surrounding us.
- You're in the beginning of this lack of logic, aren't you?
No. I'm innocent. The origin is on the Eden.
- What you mean?
When Eva and Adam ate the forbidden fruit they stolen us the heaven. In other side we got sex and the wearing industry. We started to birth a series of useless bodies. And then came the clothes, too many pockets, underwear, socks...
- So, the fault belongs to the Snake?
And also the Portuguese!
- Can you be more specific?
Think with me boy: How would be the Brazil if the Portuguese were put to run on that April, 22?
- How would be?
A country exclusively inhabited by indians. On the rest of the world, politicians wearing suit, tie and underwear. Here everybody naked, showing no shame.
- So, the fault belongs to the fashion industry?
And we can't forget the genetic factor.
- This means...?
Allow me to conclude this thought.
- Please, go on!
If the caravels had were sent off, we wouldn't having this conversation. You would not exist!
- But...
Your face shows the indian blood inside your veins. The skin bleaching came with the race mixing: Portuguese, black, Italians and this entire cocktail that you're made of.
- So you're saying that is my fault? Or even worst, the press?
Don't take me wrong boy. You would not exist, but also the Arruda, Sarney, Jáder, Renan...
- You're being racist...
Stop there. Not racist, but realist. Just think how would be this land if the Dutch had defeated the Portuguese, colonizing the country. The national standard of beauty would be other. Instead of the Sarney's mustache we would have a legion of Giseles, blondes, long legs, tall and pretties.
- This fault belongs to the mixing, then?
It's convenient not forget the self contempt curse.
- I'm lost...
We live in the land of the trickster, the indolent. We breathe a paradox: We're the country that always a way to fix, and also hasn’t a way to be fixed. The world looks to our scoundrels and says: "Well, you know... Is Brazilian..."
- This sounds like bullshit, from someone that doesn't want to take the blame!
You're offending me boy. So Lula, the president that sees nothing and nothing says, tells that Sarney can't be treated as a common and is this my fault?
- I see... So the fault belongs to the President?
Take it easy, we can't forget the rest.
- The rest?
Exactly. I mean the million of Brazilians. They have the power, but refuse to use it.
- What you mean?
Come on boy, there're no aliens at politics. They being elected, stole, cheat, dance, they do what they want... and after all this they become reelected.
- But...
Instead of set those people to hell, the elector prefers to hold on a believe that he's a victim of an eternal cheat. This role of victim is a loser thing my boy.
- The fault belongs to the people, concluding.
Don't compromise me. Listen all that I told you. You look like a smart boy. Take your own conclusions. Ask for your 22 millions of electors look at the mirror. And stop filling your mouth to announce my name! Forget the Impunity boy! You question me about whose is the fault. I tell you: Mine that isn't! No it isn't!"

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