quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pescadores


Enquanto estava em Tamandaré, algumas vezes ia a praia a noite. Sentar na areia fina para observar a lua e seu reflexo sobre a água. As estrelas, tantas, que não conseguimos ver no céu das grandes cidades. Escutar a brisa marinha noturna. Sentir o cheiro do mar.
Uma noite, porém, uma cena chamou-me a atenção. Um pequeno barco de pesca, estreito, com dois lugares para sentar, mas sem espaço para passar de um para outro e um par de remos. Neste barco, dois pescadores preparavam-se para partir. Noite e mar adentro, com apenas um pouco de água, sal, comida e ferramentas para a pesca. Preparados para passar toda uma noite na escuridão do mar em busca do vosso sustento.
A imagem lembrou-me o velho Santiago, saindo sozinho em seu pequeno barco para provar que ainda podia pescar um grande peixe. A luta para dominar o peixe e a batalha conta o mar e os tubarões para trazer sua pesca a praia. O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Eu tinha esse livro, mas confesso que não sei mais onde está hoje em dia...

"Sempre pensava no mar como *la mar*, que é o que o povo
lhe chama em espanhol, quando o ama. Às vezes, aqueles que
gostam do mar dizem mal dele, mas sempre o dizem como se ele
fosse mulher. Alguns dos pescadores mais novos, os que usam
bóias por flutuadores e têm barcos a motor, comprados quando
os fígados de tubarão davam muito dinheiro, dizem *el mar*,
que é masculino. Falavam dele como de um antagonista, um
lugar, até um inimigo. Mas o velho sempre pensava no mar
como feminino, como algo que entrega ou recusa favores
supremos, e, se tresvariava ou fazia maldades era porque não
podia deixar de as fazer. A lua influi no mar como as
mulheres, pensava ele."


the old man and the sea from hüseyin on Vimeo.


While I was in Tamandaré, sometimes I used to go to the beach at night. Seated at the fine sand to watch the moon and its reflex on the water. The stars, so many, which we can't see through the big city skies. Listening to the sea night breeze. Feeling the sea smell.
One of those nights, however, a scene called me attention. A little fishing boat, strait, two places to sit, but no space to pass from one to another and a pair of oars. In this boat, two fishing men were going reading to go deep into night and sea. They were taking with them only water, salt, a little food and the fishing tools. Prepared to pass all night inside the darkness sea, seeking for their sustain.
This image remembered me the old Santiago, going alone into his little fishing boat to prove that he still could catch a big fish. The fight to dominate the fish and his battle against the sea and the sharks, just to bring his fishing to the shore. The Old Man and the Sea, by Ernest Hemingway. I had this book, but I confess that I don't know where it's nowadays...

"He always thought of the sea as la mar which is what people call her in Spanish when
they love her. Sometimes those who love her say bad things of her but they are always
said as though she were a woman. Some of the younger fishermen, those who used buoys
as floats for their lines and had motorboats, bought when the shark livers had
brought much money, spoke of her as el mar which is masculine. They spoke of her as a
contestant or a place or even an enemy. But the old man always thought of her as
feminine and as something that gave or withheld great favours, and if she did wild or
wicked things it was because she could not help them. The moon affects her as it does a
woman, he thought."

Um comentário:

  1. I read that poem once- well, a condensed version while in a neighbors bathroom. Tomorrow they fish again.

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