terça-feira, 3 de março de 2009

Jagunço


Nessa minha última viagem ao interior tive a oportunidade de conhecer o neto de um autêntico Jagunço. Para aqueles que desconhecem o termo "jagunço", aqui vai uma definição de Claudinor Queiroz: "Jagunço era todo indivíduo que empunhava uma arma em defesa própria, de seus bens, da sua família, do seu lar, na primeira oportunidade que se lhe oferecia.". O Jagunço era uma figura típica do Sertão Nordestino, substituído hoje pelo pistoleiro.
Ele contou-me que seu avô havia participado da Guerra dos Canudos e relatou alguns momentos em um livreto de anotações (tipo um diário):
"Voltamos exaustos do Riacho Masseté. Lutamos contra uns 50 praças ao lado de mais de um milheiro da população armada. Nunca havia visto uma multidão com tamanho fanatismo e raiva. Iam de encontro a polícia, de peito aberto, como se nada pudesse ferí-los. Acho que nem o tenente acreditava no que via. No começo os soldados imaginavam vitória certa. Atiravam a esmo contra a população que ia caíndo. Mas o que parecia se tornar o massacre da população daquele povoado virou o pesadelo dos soldados. Logo eles se viram cercados por uma população fanática. Podia ver agora o pânico no olhar daqueles soldados. Olhei para o lado e vi meus companheiros paralizados também, impressionante era aquela cena. Soldados fugindo como um peba procurando uma toca para esconder-se. Aqueles que ficavam para trás eram mortos e tinham suas fardas ostentadas em um estandarde de revolta. Quando voltamos ao Monte Santo rezamos pelas almas dos quatro jagunços que foram mortos na batalha. Um deles meu sobrinho."
Retomei um interesse repentino pela história de Canudos e dos Jagunços. Somente um mês após iniciada a guerra foi que o General Artur Oscar consguiu capturar um jagunço vivo. Segue abaixo algumas referências:

Filme:
Guerra dos Canudos (1997)

Livros:
Euclides da Cunha - Os Sertões
Alexandre H. Otten - Só Deus é Grande

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