segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Endechas a Bárbara Escrava

Sem muitas idéias, então vou deixar aqui hoje apenas um poema de Camões, particularmente um dos que mais gosto dele. Contam registros que Camões escreveu esse poema a uma escrava por quem apaixonou-se.

Endechas a Bárbara Escrava (Camões)

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de amor,
Tão doce figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o sino acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E pois nela vivo,
É força que viva.



Ok, I'm with no ideas about to write, so I'll live you here with a poem from Camões. Particulary one of my favorities poems from him. Some records tells that he wrote this poem while was in love for a black slave. Maybe I had transcribed some parts in a wrong way. The original was wrote on a ancient portuguese and it's hard to translate for english. Anyway I tryed...

Sad song for Bárbara the Slave

That captive
Who has me as captive,
Because in her I live
Instead doesn't want me alive.
I never saw rose
In softly sprigs,
That for my eyes
Would be more beautiful.

Neither in fields the flowers,
Neither on the skies the stars
Are beautiful for me
As those from my beloveds.
Singular face,
Easy eyes,
Black and tired,
But not to kill.

An alive grace,
Where there they live,
To be the Lady
For those who captives she.
Black the hair,
Where the people go
Losing opinion
That the blonde are beautiful.

Blackness of love,
So sweet image
That the snow swears her
A color exchange.
Pure meekness,
Which the bell follows;
Seems so strange,
But not barbarian.

Serene presence
That makes the torment easy;
There, at least, remains
All my pity.
That's the captive
Who has me as captive;
And in her I live,
Is strength that lives.

Um comentário:

  1. Why the half naked woman? Is this a cultural thing I'm not aware of?

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